Desenhar agora não tem mais aquela urgência da infância. Não tem prova, não tem “olha o que eu sei fazer”. Tem mais silêncio, tem mais pensamento... Às vezes a linha sai torta porque eu tô torta também e tudo bem, a vida é torta também né?!
Fico pensando que desaprender é uma coisa que a gente faz sem perceber. A gente desaprende de tanto adiar, de tanto achar que depois é melhor, de tanto achar que não dá tempo. Aí quando vê o lápis ficou lá esperando, enquanto eu resolvia coisas “mais importantes”. Engraçado isso, sempre tem algo mais importante do que a gente.
Reaprender a desenhar agora é menos sobre técnica e mais sobre permissão! Permitir errar,permitir não ficar bonito, permitir não postar, permitir fazer só pra mim, mesmo que dê vontade de desistir... Tem dias que eu olho pro papel e não sai nada.Quase quarenta anos não é tarde, também não é cedo: é agora. E agora eu desenho devagar, como quem reaprende a escutar, quem aceita que não precisa chegar a lugar nenhum só ficar um pouco ali, rabiscando, enquanto o mundo não exige nada.